quarta-feira, 7 de maio de 2008

Trois Gymnopédies

Para longe. Lentamente, sempre em direção ao sol, a ave se distancia de sua terra natal.
O som dos pássaros ecoa cada vez mais baixo e assim continuadamente até se tornar mais uma lembrança.
O sol, vagarosamente se põe ao som das nuvens que dançam lá no céu. E ao som dos rios que refletem a luz dourada das águas dos rios que passam lá em baixo. O ar agora bate levemente nas plumas da ave. As plumas não sabem voar, por isso planam. Pouco a pouco a ave descobre novas paisagens: são montanhas verdes com ares de verão. O que verão os olhos atentos que olham para o novo mundo? Copas de árvores, animais, águas e o mar. Ah o mar... a imensidão azul do mar. Agora o mundo é o mesmo para sempre. São águas contínuas descontinuadas. Ondas de lembranças em meio a mais águas.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Hard candy!

Ganhei o cd novo da Madonna!
Pra variar, perfeito... nossa muito feliz!!!!!!
obrigado! obrigado!! =]

domingo, 4 de maio de 2008

will you still love me tomorrow?

Quando minha pele tiver mais rugas do que nuances e os meus olhos não mais enxergarem o obvio com tanta facilidade, você ainda me amará?
E quando meu cérebro não responder aos meus desejos tão rapidamente e minhas pernas, cansadas, não mais tiverem forças para me fazer andar, você ainda me amará?
Quando eu, enfim, precisar de oxigênio para respirar e viver mais de lembranças do que de ações, você ainda se amará?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

É uma questão de ordem!

Me ter dado recebendo, o ganho causa espanto!
Ter me ganho, recebendo o dado, causa espanto!
Dado o ganho ter me recebendo, causa espanto!
Causa espanto o ganho ter me dado recebendo!
Ter espanto causa-me dado. Recebendo, o ganho!
Ganho dado, causa-me ter espanto recebendo!
Recebendo espanto me causa ganho. Ter dado.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Aonde está minha máquina de xerox?

De tempo em tempo o coração bate. Junto com a batida vem o fluxo.
No repetimento, o novo surge. Com ele, o inevitável. Inevitavelmente, nos repetimos.
Frequentemente nada se cria, mas as vezes somos capazes de nos reinventar sem recair no que já foi feito, no que já foi dito. E qual a importância disso? Eu sei. Sei também que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é e imagino que seja igualmente delicioso ser o que não é, ou o que não imaginou que fosse. O fato é que ininterruptadamente nos refletimos. E a cada reflexo, nos projetamos em novos corpos. De novo, o novo. De novo, a repetição. No novo, o reflexo, a cópia exata com modificações já pensadas. Funcionamos como máquinas de xerox enfileiradas e num processo contínuo de trabalho, duplicamos, triplicamos, nos copiamos por bilhões de vezes e assim esquecemos de refletir. Apenas refletimos. Com o tempo, nos igualamos centenas de vezes e cada vez mais nos alegramos. E é na igualdade que se esconde a felicidade - motivo primeiro na escada das importâncias. Depois disso tudo, cansamos de nos refletir. Ficamos gastos, perdemos o brilho e enfim nos apagamos. Daí, o que resta são cópias, xerox...

terça-feira, 29 de abril de 2008

a estrela que não sou eu

Há milhares de milhas distantes, numa terra muito, muito distante daqui, existe uma estrela.
Desde pequena ela vive cercada pelo cerrado que acerta e a cerca de espinhos e poeira sufocantes. Tão distante, tão distante. Tão certa de que não está predestinada a apagar-se, a estrela ilumina os grãos de pó que a cegam. A estrela não sou eu. Nem poderia. Ela não tem meu nome. A estrela está sobrevivendo como nunca. Mas está tão distante. Tão distante que nunca poderia ser eu.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

a pé

Os pés caminham em direções interessantes. Os passos, um atrás do outro, um de frente pro outro causam a colisão.
Tropeços geram quedas. A queda é direto na ladeira que leva pra um buraco sem volta.
A volta, na verdade, depende do seu cérebro. Aquela história: On and on the beat goes...
Centenas de passos e sua perna endurece. Será a dor que a deixou assim, ou o processo contínuo de aperfeiçoamento dos seus músculos?
On and on the beat goes...
Diariamente, caminhe. Diz o médico.
Mas e o filósofo? Antonius Block sofreu por caminhar com a morte. No fundo ela só estava solitária e caminhava junto com o cavaleiro por necessidade. Quem diria, dona Morte tem desejos. E você?
No fundo, queria caminhar com meus pés, mas queria também que eles soubessem por onde ando. Eu não faço a menor idéia...